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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Silêncio

Sinto-me intranquilo.
Quando comecei a pintar, fi-lo por curiosidade. Aprendi algumas técnicas, desenvolvi outras e tentei acima de tudo pintar o que via e como via. O meu objectivo era conseguir imitar a realidade como se duma fotografia se tratasse. Encontrar as formas e as cores.
Há cerca de 2 anos comecei a divergir um pouco, tentando pintar não só a realidade mas alterando-a aqui e ali, ora introduzindo novos elementos ao quadro ora agravando ligeiramente as cores. Esta intranquilidade tem acompanhado a minha obra duma forma intermitente, isto é, alterando a realidade mais ou menos, consoante a estética do próprio quadro, mais do que o meu estado de espírito, mais do que a minha mensagem.
Mas nunca como agora tinha pintado de noite uma imagem que vi de dia. Também nunca tinha adulterado tanto as cores como desta vez.
A minha intranquilidade deriva desta procura não encontrada, deste jogo de experiências que vou deixando em cada quadro e que cada vez mais me vai desafiando. Tenho a impressão que os meus próximos quadros vão entrar ainda mais neste jogo de procura insatisfeita que me deixa cada vez, mais intranquilo

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